Tira-gosto - Revolucionários
Desde que o ser humano surgiu na face da terra e comoçou a escrever sua história que há indivíduos descontentes com a situação social.
Sejam servos reprimidos por um senhor feudal ou jovens revoltados com o imperialismo mundial, todos querem basicamente a mesma coisa, uma profunda mudança nas bases da sociedade. Cada um procura fazer sua revolução de uma forma, o proletariado protesta através de greves, sem terras através de invasões de terra, jovens pela arte através de músicas, grafites etc.
Diversos ideiais surgem em diferentes cabeças, algumas pessoas com idéias conservadoras e outro com idéias anárquicas, mas o que realmente me deixa perplexo são os instantes em que as pessoas resolvem fazer a revolução.
Na época da ditadura quando as pessoas eram presas por serem conspiradores comunistas por coisas banais como perguntar as horas num ponto de ônibus e não tinha internet nem coisa do tipo, as pessoas faziam manifestações, como a passeata dos 100 mil (foto do topo) que reuniu cerca de 100 mil pessoas pelas ruas do Rio de Janeiro que arriscaram as próprias vida para protestar.
Várias bandas e intérpretes fizeram de sua carreira uma grande coletânea de críticas e relatos oculares da realidade, mas fico triste em ver que na verdade isso não passou de uma grande estratégia de marketing que serviu para atrair o público jovem e que precisava de ouvir ideiais anarquistas.
Dói ver os titãs, banda que cantou em pleno palco do Faustão “mas a televisão me deixou burro, muito burro demais” e que berrava músicas do álbum cabeça dinossauro cantar hoje “devia ter aceitado a vida como ela é”.
As FARCS que em sua concepção são forças revolucionárias bolivarianas (não sabe quem foi Simon Bolívar? pesquise) perderam seu ideal original, assim como o próprio governo colombiano, transformando a revolução em uma rinha por poder em solo colombiano. A grande verdade amigos é que ambos perderam seus objetivos: o governo perdeu seu objetivo de melhorar a vida da galera e as FARCS perderam seu ideal de liberdade, e o tráfico de drogas que era a única forma de manter os revolucionários se tornou em uma lucrativa fonte de renda, tornando-os nada mais que grandes comerciantes.
Me entristece saber que aqueles que passavam idéias de liberdade nada mais fizeram do que manipular o povo, mas fico feliz de saber que ainda há algumas pessoas interessadas nesse ideial. Torço para que ele não se perca e que o rock brasileiro não seja esse emo safado que vemos por aí nem um falso moralismo como já visto. Que a sociedade alternativa de Raul não seja um simples slogan, e sm um ideal vivo na mente das pessoas.
Che Guevara se retorce no túmulo (ou numa caverna escondida, cada louco tem uma teoria) ao saber disso ou ele simplesmente foi diferente por não ter tido tempo de “mudar de opinião”?

Compartilho do que você diz, mas não tudo. Sei lá se foi uma estratégia de marketing… acontece que os tempos mudaram e as idéias também mudaram, e alguns se conformaram com isso. Tinha uns (tipo Chico Buarque) que lutavam pelo fim da ditadura - e quando esta chegou o fim, não sabiam mais contra o que lutar. É a impressão que tenho.
E até voltando a um outro post, sabe que até gostei do novo disco Cê, do Caetano? Apesar de suas decaídas, ele ainda tem um pouco daquelas décadas de 60 e 70. Talvez seja otimismo inocente da minha parte, sei lá.
E só fazer uma observação… as passeatas que aconteciam, como essa dos 100 mil, na verdade foram antes do AI-5 (que veio em dezembro de 68). Foi nesse Ato que os ditadores detonaram de vez com tudo… e daí sim, diminuiu as manifestações e aumentou o medo (parte da herança que adquirimos hoje). Só as músicas que continuaram, em seus jogos de palavras com segundos sentidos. E, bom, o sentimento também continuou.
De toda forma, dói mesmo ver certas mudanças em comportamentos e ideologias…
Cara, eu acho que essa questão de a galera lutar contra a ditadura e depois que conseguir ficar quieta é meio que um papo de “ah, antes num dava pra aguentar, agora num tá bom, mas dá pra empurrar com a barriga”. Parece que os caras preferem um ruim suportável do que continuar lutando pelos ideiais de antes. Não conseguiram o que queriam, mas ficou menos pior, ficou uma gambiarra, tah bom.
Ainda não ouvi o novo disco do Caetano, então não vou opinar, mas vou ver se ouço hoje mesmo. Antes de você falar isso nem tinah vontade.
E com relação a sua observação, obrigado pela correção, não vou falar que eu fui desatento, fui burro mesmo e num pesquisei pra ver o que tava falando
Burro que nada, o post ficou bom e você tem razão! Pelo menos pra mim… o que nem sei se conta muito, mas ok.
Concordo mais uma vez, a sociedade como nós conhecemos é uma baita gambiarra, melhor estilo de “menos pior” mesmo. Tenho razões pra citar de sobra o porquê de eu querer lutar tanto, de desgostar tanto do estágio que vivemos. Só não tenho muita razão pra continuar nesse “querer”, hehehe.
O final do seu comentário foi crucial pra eu chegar onde queria. Eu também não, e todo mundo que eu conheço que tem idéia de mudar as coisas e tals fala “ah, mas eu vou protestar sozinho” ou coisa do tipo, mas c forssemos parar pra pensar, muita gente gostaria de lutar pro muitas coisas. Antigamente as pessoas eram muito mais reprimidades e eram loucas pra poder falar, qualquer oportunidade que tivessem iriam usar, hoje que nós podemos falar, a gente prefere ficar com preguiça e falar “ah, mas ninguém mais vai protestar, eu sozinho num vou conseguir mudar nada”.
Não quero com esse comentário as pessoas se concientizem e saiam nas ruas nesse exato instante, sei que isso não é possível, só quero conseguir entender…
É, eu também não consigo entender da parte dos outros. Eu não concordo com argumentos como “sozinho nao vou conseguir nada”, porque acho que se consegue sim.
Mas pra não ficarmos de mãos abanando, deixo pelo menos os meus dois motivos: não tenho praticamente nada de dinheiro pra investir, mesmo que seja pouco; e, verdade seja dita, tenho iniciativa de menos e preguiça de mais. Tenho umas idéias, sabe, mas falta o primeiro passo pra todas elas… não gosto de assumir isso, mas é a verdade.
Agora, os motivos coletivos, sociais? Várias coisas… talvez uma das formas pra mobilizar pessoas seja entregando as ferramentas certas de bandeja, o que é triste, mas funciona pra gente como eu
hahahah o smile feliz na verdade era uma língua : P
eh, wp tah com esse bug