Aos Formandos da FAU USP
Artigas, Vilanova. Caminhos da Arquitetura. São Paulo, LECH.
João Batista Vilanova Artigas se envolveu desde estudante em movimentos sócio-culturais, como a escola paulista e as vanguardas no grupo santa helena, por imposição do regime político da época Artigas foi exilado devido sua forte ligação com o partido comunista brasileiro.
Exilado em Montevidéu, Uruguai, Artigas não deixou de escrever e mandar seu discurso de paraninfo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) aos formandos de 1964 mostrando-lhes a importância do arquiteto para o desenvolvimento social e cultural do país, e a ardente luta dos estudantes e dos professores da faculdade para firmar a favor da responsabilidade que a profissão carrega. Em sua aula de 1967 pronunciada na mesma faculdade mostra a importância do desenho na criação e no desenvolvimento da arquitetura.
A Cultura para Artigas assume uma importante expressão do desenvolvimento do país e é somente construída com os intelectuais cuja moral se assenta nesta responsabilidade, a responsabilidade que não somente os profissionais e professores, mas também dos estudantes que têm como participação deste desenvolvimento que tanto falta no país
A sociedade imposta por soberania que vive na desigualdade social, uma antítese poética que não pode e nem deve ser aceita pelo arquiteto, o arquiteto em si como manipulador da organização da sociedade e do espaço em que ele vive deve lutar profundamente contra os problemas habitacionais e lutar para o desenvolvimento econômico levado pela industrialização dos mais brilhantes brasileiros, genuínos e capacitados para tal fardo. Foi por isso e nisso que Artigas acreditou e mesmo não presente no discurso seu espírito aprofundou nas almas destes futuros arquitetos.
Para ele, O Desenho que desenvolveu durante séculos é composto por técnicas que tendam representar graficamente a criação humana, uma dualidade entre o abstrato e o concreto, uma linguagem humana, a arte não pode e nem deve se tornar inútil como dizia Platão, mas sim interpretada para a sociedade refletir os símbolos que são frases de ideais e dos sonhos do criador o arquiteto deve unir a técnica artista como uma palavra e encaixa - lá numa frase numa cidade num projeto arquitetônico transformar a arte e seus ideais em uma única síntese.
Os monumentos que construirão para a vitoria desta árdua profissão não é talhada pelo conforto e a segurança material, como quase todos estudantes hoje buscam, arquitetos não são marionetes da indústria da construção que aniquila e destrói a cultura, Sçao intelectuais cuja a obra se deve à complexidade da cultura nacional e de seu patrimônio arquitetônico lutam contra a desigualdade espacial urbana, e urbanismo aqui levado aos tempos da Grécia em sua polis Atenas. São políticos e por isso tem que dominar esta estrutura, estrutura esta que somente pode ser desmitificada com a técnica e um olhar artístico levado pelos olhares profundo do desenho de sua representação gráfica da intenção do arquiteto e urbanista para que a criatura não se torne vitima da própria criatura é esta a conclusão de Artigas e talvez uma das mensagens que perdura até hoje não somente nesta gloriosa faculdade, mas como em todas as outras que formam e formarão os futuros arquitetos desta nação.
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